segunda-feira, março 24, 2014

“Shame” de Steve McQueen (2011)

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Tenho sempre mais dificuldade em escrever sobre filmes que me “são próximos” e que me tocam da maneira que este me toca…Foi dos filmes que mais gostei deste ano mas não é consensual. Não foi um filme comercial e acaba por ser pesado devido à carga sexual e emocional que emana. A primeira imagem lança o mote: Michael Fassbender nú, sozinho, deitado numa cama, tapado apenas com um lençol e muito pensativo. Sai da cama e deambula pela casa, completamente nu. Steve McQueen não teve pudores neste filme e o nu frontal aparece muitas vezes.

A história e a brutal interpretação de Michael Fassbender dão-nos a conhecer Brandon, um homem viciadíssimo em sexo de todas as formas possíveis: pornografia, cybersex, prostitutas, “one night stands”, masturbação. Na casa dos 35, solteiro, a viver em NY e habituado a tratar dele e apenas dele próprio. A sua casa é simples, minimalista, o que acaba por ser um reflexo da personalidade fria e distante. Brandon sente a sua vida a ser invadida quando Sissy (Carey Mulligan), a sua irmã, vem passar uns dias a sua casa. Completamente desequilibrada e vulnerável, procura apoio no irmão, mas que este não sabe, nem consegue lidar com o afecto.

O que o vicia acaba por ser o “rush”, a adrenalina e é sempre à procura dela que anda, em tudo o que se relaciona com sexo. Exemplo disso é a sua experiência homossexual, na medida em que tudo já tinha sido feito e na naquela noite ele precisava da adrenalina testada ao máximo. Várias vezes a vida de Brandon é posta em situações de risco, derivado ao seu vicio: o computador do trabalho está “minado” de pornografia (atenção à obra-prima da tradução de “cream pie”, neste filme, que é nem mais, nem menos, que “tarte de leite”), brigas em bares, etc.

Ao fim ao cabo,  “vazio” é tudo o que Brandon sente no final de cada experiência…

Argumento: Brandon (Michael Fassbender) é um bem-sucedido irlandês com um cargo de topo numa grande empresa de Nova Iorque. A viver sozinho num pequeno apartamento, tem a vida controlada ao milímetro. Porém, por trás de uma máscara de autocontenção, está um homem a viver no limite. Numa luta constante entre um medo incontrolável de intimidade e uma ânsia de sexo,  vive de encontros ocasionais com estranhos. Até Sissy (Carey Mulligan), a sua irmã mais nova, aparecer sem pré-aviso e instalar-se no seu apartamento. Brandon perde então todo o controlo sobre a sua vida e a sua sexualidade.

Curiosidades: Na altura da promoção deste filme, várias foram piadas feitas relacionadas com o tamanho do pénis de Fassbender. A cena onde Sissy foi gravada de uma vez e as emoções de Fassbender são reais, pois nunca tinha ouvido a actriz cantar. Foi muito difícil filmar a cena de sexo no hotel “transparente” pois os transeuntes estavam sempre a acenar aos actores.

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19 comentários:

  1. Vi este filme o ano passado e gostei bastante.

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    1. Jo: Quando o vi no cinema, saí de lá a bater mal!

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  2. Vi e também gostei, se bem que nem me lembro do tamanho do dito :)

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    1. OH Marta....a Dora anda sempre de fita métrica em riste pelo que daqui a pouco vais ter toda a informação necessária..........

      Libelinha

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    2. Libelinha: Curioso que parece que me conheces tão bem que até sabes que ando sempre de fita métrica em riste e é a 1ª vez que te vejo por aqui...

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    3. Marta: Vocês reteram a coisa mais irrelevante...

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    4. Libelinha...parece que a Primavera está a chegar...parece que sim, isso e a alergia ao pólen :/
      Dora, tenho a certeza que sim.

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  3. O Fassbender juntamente com o Clive Owen são os meus atores preferidos.
    O Shame está muito bom,como quase tudo onde ele e McQueen se metem.

    Há quem defende até que no Shame há uma grande atração sexual meio doentia entre ele e a irmã.

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    1. Shiver: caraças que me esqueci de escrever isso. Há ali uma relação pseudo incestuosa, sem dúvida!

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    2. Shiver: É das coisas mais importantes no filme e eu esqueci-me :(

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    3. Dora, o Shiver tem olho para a coisa :)

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    4. Marta: Não é questão de ter olho. É o que mais se nota no filme. Não é subtil ;)

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  4. Tamanho da pila e do matagal! :D

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  5. Gostei do filme, mas quando o acabei de o ver, achei que todo ele era triste.

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    1. No limite do oceano: Os melhores filmes são os tristes. Pelo menos, os "meus filmes" são todos tristes :)

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  6. Também gostei imenso do filme, precisamente pelo desconforto que senti. Sou um pouco conservador no que ao sexo diz respeito e achei todo o filme muito cru, explícito e verdadeiro.

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    1. iLoveMyShoes: Eu achei-o extremamente real.

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  7. Tanto o "Shame" como o "Hunger" são obras fantásticas. Como dizes, não são filmes comerciais mas é nesse campo que o McQueen brilha. Já no "12 Anos Escravo" tentou ser mais comercial e, pelo menos para mim, não brilhou tanto.

    Este é um filme "puro e duro", como costumo dizer, e é impossível deixar alguém indiferente. Um dos meus favoritos nos últimos tempos mas que me fez sair da sala do cinema bem cabisbaixa!

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    1. Inês S: Eu vi o "Hunger" há uns anitos e também gostei. Mas qualquer dia volto a vê-lo porque de certeza que irei disfrutar ainda mais, na medida em que já conheço "bem" a dupla McQueen/Fassbender.

      Vai aparecendo. Gosto sempre de cinéfilos por aqui!

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