sábado, abril 30, 2016

"A Biografia Involuntária dos Amantes" de João Tordo


Li "As Três Vidas" no Verão de 2012 e fiquei deslumbrada com este romance. Devorei-o em poucos dias e embrenhei-me tanto na saga desta família que não conseguia deixar de ler. 
Conta a história de "António Augusto Milhouse Pascal, um velho senhor que se esconde do mundo num casarão de província, acompanhado de três netos insolentes, um jardineiro soturno e um rol de clientes tão abastados e influentes como perigosos e loucos. São estes mistérios que o narrador - um rapaz de família modesta - procurará desvendar durante mais de um quarto de século, não podendo adivinhar que o emprego que lhe é oferecido por aquela estranha personagem se irá transformar numa obsessão que acabará por consumir a sua própria vida.
Passando pelo Alentejo, por Lisboa e por Nova Iorque em plenos anos oitenta - época de todas as ganâncias - e cruzando a história sangrenta do século XX com a das suas personagens, As Três Vidas é, simultaneamente, uma viagem de autodescobertas através do «outro» e a história da paixão do narrador por Camila, a neta mais velha de Milhouse Pascal, e do destino secreto que a aguarda; que estará, tal como o do avô, inexoravelmente ligado à sorte de um mundo que ameaça, a qualquer momento, resvalar da corda bamba em que se sustém."
Nesse dia tomei a decisão de ler a obra toda do João Tordo.

Li "O Bom Inverno" e depois "O Ano Sabático". Ambos foram uma desilusão, pois não senti o mesmo, não criei empatia com as personagens e não achei nada de especial.

Esta semana comecei a terminei "A Biografia Involuntária dos Amantes" e confesso que me custou acabar. Estou deserta que o livro chegasse ao fim porque achei-o tão chato em certas partes. 
Conta a história de dois homens que se cruzam e se tornam amigos. A personagem principal fica curiosa e intriga com este seu novo amigo, então decide saber tudo sobre a sua vida passada e a história acaba por ser a descoberta do passado deste mexicano, pelo amigo português, mas mais nio campo amoroso. 
A persoangem principal também tem de lidar com as suas frustrações relativamente à ex mulher, filha e à sua profissão. O que na minha opinião é a parte mais interessante do livro, mas não a principal.

Estou relutante em ler mais alguma coisa do João Tordo porque confesso que estou desiludida...

sábado, abril 23, 2016

"Southpaw" de Antoine Fuqua (2015)


Eu gosto muito do Fuqua porque ao longo dos anos tem feito filmes muito bons, tais como, "The Equalizer", "Training Day", ambos com o Denzel Washington e agora fez o "The Magnificent Seven" com um cast fenomenal, incluindo o Denzel também.

Como considero o Jake Gyllenhaal dos melhores da geração dele, andava curiosa para ver este filme e superou as minhas expectativas. Gostei mesmo muito. Conta também com a presença da Rachel McAdams e do Forrest Whitaker.

O Gyllenhaal está transformado em todos os aspectos. A sua entrega a este papel, o seu corpo, tudo neste filme resulta e não nos deixa virar os olhos um segundo que seja.

Sinopse: Billy "The Great" Hope (Jake Gyllenhaal), é lutador, é o seu objectivo é o título de campeão enquanto enfrenta diversas tragédias na sua vida pessoal. Além das batalhas nos ringues, é forçado a lutar para conquistar o amor e o respeito da filha.

Curiosidades: A primeira escolha para o papel foi Eminem, que ainda começou por gravar umas cenas mas acabou por desistir por querer focar-se mais na sua carreira na música. Este filme era suposto ser a sequela do "8 Mile".


"Making a Murderer" (2015)


Foi a série que me marcou mais nos últimos tempos. E porquê? É um documentário feito em 10 anos que relata a história de Steven Avery, que é acusado de um crime mas passados 18 anos, o DNA prova que ele esteva inocente. Sai cá para fora após 18 anos preso e ao pedir uma indemnização pelos danos, é acusado de outro crime...

Ao longo dos 10 episódios vemos as entrevistas ao próprio, à família, aos advogados, a toda a gente envolvida no processo e mesmo dos julgamentos.

Eu devorei os 10 episódios em 3 dias e fiquei a bater mal no fim. Não vos posso contar mas digo-vos que ninguém fica indiferente a esta série/documentário porque ele é real, ele está acontecer "as we speak", e mais não digo...


"A Bibliotecária de Auschwitz" de Antonio G. Iturbe



Ao meu ver, este livro divide-se am duas partes: a primeira (pensamos nós) que é mais uma "fantasia" nos campos de Auswichtz/Birkenau e a parte mais final do livro retrata uma realidade mais crua do que foram os fins e o degredo dos campos.

Como estive em Auswichtz, ainda o livro me tocou mais porque consegui visualizar tudo o que era descrito.
No final temos uma excelente surpresa sobre a nossa protagonista.
Para quem, como eu, devora tudo o que seja sobre este tema, é um bom livro. Quem não consegue lidar com as descrições do que foi este extremínio, tornar-se-á um livro pesado para o fim.
Neste livro, mais do que todo o horror do Holocausto, somos levados a focar-nos nas pequenas coisas que mantém acesa a esperança. São várias as passagens do livro que demonstram como o que valeu a tanta gente foi manter a coragem. 
Gostei muito!

Sinopse: Auschwitz-Birkenau, o campo do horror, infernal, o mais mortífero e implacável. E uma jovem que teima em devolver a esperança. Sobre a lama negra de Auschwitz, que tudo engole, Fredy Hirsch ergueu uma escola. Num lugar onde os livros são proibidos, a jovem Dita esconde debaixo do vestido os frágeis volumes da biblioteca pública mais pequena, recôndita e clandestina que jamais existiu. No meio do horror, Dita dá-nos uma maravilhosa lição de coragem.

Classificação: 4/5

"Segredos Obscuros (Sebastian Bergman #1)" de Michael Hjorth e Hans Rosenfeldt



Tinham-me falado nesta colecção de livros que é uma série nórdica e comprei o livro em Agosto mas como não costumo ler thrillers, foi ficando. 
Como também comecei a ver muito buzz sobre "O Discípulo" que é o 2º livro deles, decidi arriscar...
Devorei este livro em poucos dias. Lia de manhã, à hora do almoço e à noite. 

Não costumo ler policiais mas gostei imenso e vou continuar nesta linha de leitura.
A trama, não sendo nada de especial, não deixa de nos viciar. As personagens são bem construídas e a maneira que está escrito, flui muito bem.
Deu-me gozo pegar neste livro e deixar-me levar pela investigação à volta de um crime, com a descoberta de pistas, o aparecimento de potenciais culpados e as reviravoltas que normalmente nos são apresentadas e nos deixam surpreendidos. Era isso que procurava neste livro, dentro dos policiais nórdicos que tanto sucesso têm feito, e foi isso que encontrei.

Sinopse: Sebastian Bergman é um homem à deriva.
Psicólogo de formação, trabalhava como profiler para a polícia e era um dos grandes especialistas do país em serial killers. Perdeu tudo quando o tsunami no continente indiano lhe levou a mulher e a filha.
Tudo muda com uma chamada para a polícia. Um rapaz de dezasseis anos, Roger Eriksson, desapareceu na cidade de Västerås. Organiza-se uma busca e um grupo de jovens escuteiros faz uma descoberta macabra no meio de um pântano: Roger está morto e falta-lhe o coração. É o momento de Sebastian se confrontar com um mundo que conhece demasiado bem.
O Departamento de Investigação Criminal pede ajuda a Sebastian. Os modos bruscos e revoltados de Sebastian não impedem a investigação de avançar. E as descobertas sobre a escola que Roger frequentava são aterradoras.

Classificação: 4/5

segunda-feira, abril 18, 2016

Varsóvia e Cracóvia - Março 2016

Esta era a viagem que queria fazer há muitos anos porque desde os meus 20 e picos anos que queria ir a Auswichtz. Tinha tudo tratado e pago desde Setembro...
O voo durou 3h40 e quando aterrei à hora do almoço estava um pouco perdida porque não encontrava o trem que me levaria até à cidade e a quem eu perguntava também não me explicava lá muito bem. Mas pronto, lá fui no trem até ao centro de Varsóvia. O bilhete custa 3.40zlots - 0.79€ e é para uma viagem de 20 minutos. (Foi o único que tirei para me deslocar em Varsóvia. Estes 20mn bastam.)
O hostel ficava a 800m da estação central de Varsóvia e foi o hostel que mais gostei dos que já conheci. Chama-se "Warsaw Downtown Hostel" e como a Páscoa é uma data muito importante na Polónia, eles fizeram uma festinha com comida tipíca (que desconsolo!) e com algumas pessoas que estavam lá hospedadas. É um hostel que todas as noites às 20h promove uma atividade para as pessoas fazerem em conjunto. As instalações eram giríssimas e o meu quartos era privado e com wc. 
Como era Domingo de Páscoa e tudo estava fechado, não tive outra escolha senão voltar ao centro e ir ao Mac. Comi um menu por 11zlost - 2€ e depois fui até ao Hard Rock Café que fica mesmo ao lado. Fui com o intuito de espreitar mas quando vi o preço e principalmente a qualidade da cerveja,fiquei lá até à 1h a beber uns copos e a ouvir música. As imperiais deles são de meio litro e custavam no Hard Rock, 9 zlots - 2€ cada uma.
Quando saí do HR confesso que já vinha bem disposta e ainda tirei umas fotos lá no centro. Estava frio como eu gosto mas nada como estava à espera. Ou seja, fui carregada com cachecóis, uns collants, gorros e luvas. Estava mais frio em Portugal do que na Polónia.

No dia seguinte por volta das 8.45 já estava a percorrer Varsóvia mas não se via ninguém. Para além de ser cedo, na 2ª feira de Páscoa ninguém trabalha e está tudo fechado. Fui até à Praça do Mercado - Rynek Straego Miasta e às 10.30 fiz a 1ª "Walking Free Tour". É uma coisa que agora faço sempre que viajo pois é a melhor maneira de conhecer as cidades. É grátis e no fim damos o que queremos.
Fiz a "Old Town" e depois às 14h, fiz a "Jewish".
A comida não é mesmo o forte dos Polacos a não ser a pastelaria. Neste primeiro dia fui almoçar ao "Zapieck" que são uns restaurantes muito conhecidos e claro que comi "Pierogi". Não me recordo do nome da bebida mas era tipo sangria quente. O shot de vodka a acompanhar não foi pedido, mas faz parte da bebida.
Eles têm uma cadeia de "Cafés Nero" e isso sim foi um sitio que visitei todos os dias. Tudo lá era delicioso! Estes cafés têm um ambiente muito familiar e a decoração é giríssima. 
A visita ao "Jewish Ghetto" foi giríssima e o guia contou-nos toda a história e os factos, principalmente do "Uprising - Movimento de Revolta". Neste ghetto foram colocados todos os judeus de Varsóvia. (Não me vou alongar sobre história mas foi muito, muito enriquecedor.) Estivemos também na zona onde os judeus que foram deportados estavam sentado horas e horas à espera de serem levados nos vagões para Auswichtz. Esta zona agora é um memorial. 
No dia seguinte de manhã fui de comboio para Cracóvia. O bilhete custou 135zlots - 33€ e teve a duração de 2h e picos. Comprar o bilhete foi custoso porque nos guichets ninguém fala inglês e a simpatia, tal como a comida, não é o forte dos Polacos. Lá consegui encontrar umas pessoas que têm uns coletes laranjas e que ajudam os turistas nas estações...
Estes comboios têm imensas condições e aparece sempre uma menina que oferece água, café ou chá. Não se pagam estas bebidas.

Quando cheguei a Cracóvia apercebi-me que a cidade era bem diferente de Varsóvia: tudo é mais condensado, a cidade mais pequena, as pessoas mais "urbanas" e mais pessoal jovem. Atravessei a estação e apanhei o trem até ao Bairro "Kazimierz" (Bairro Judeu) que era onde ficava o meu hostel. Aqui as viagens eram mais baratas e paguei 2.80zslots.
O quarto era enorme e muito giro. Não gostei tanto deste hostel porque era muito impessoal e as funcionárias não eram nada simpáticas. Parecia que tudo lhes era um frete.
À tarde dei uma volta na Praça Central que estava cheia de gente e fiz também a "Jewish Free Walking Tour" que adorei! Ao contrário de Varsóvia que o ghetto era só prédios e cimento, aqui as coisas eram bem mais pequeninas e térreas.
Nesta foto é o pátio onde foram filmadas algumas cenas d' "A Lista de Schindler". 
Passámos também pela "Love Bridge"e pela Praça do Ghetto. Estas cadeiras simbolizam os pertences que os judeus tiveram de trazer quando foram despojados.
 O destino a seguir foi o "Fábrica do Oskar Schindler". Foi o único museu que fiz sem guia porque pelo que me apercebi, neste museu, só os grupos têm direito a guia. Não aconselho ir assim porque perde-se muita informação...
No dia seguinte fiz a tão esperada viagem a Auswichtz. Como os preços são todos muito em conta, preferi ir numa visita organizada. Paguei 140zlots - 32€ e veio um senhor de uma empresa buscar-me ao hotel, levou-me numa mini van, juntamente com outros turistas. Depois fez o também o transporte de Auswichtz a Birkenau II (são 3km) e no final deixou-nos nos nossos hotéis. É a maneira mais confortável, na minha opinião.
A visita foi feita com guia e durou toda a manhã. 2.30h no primeiro campo e 1.30 no segundo. Não vou relatar o que vi porque todos sabemos mas posso dizer-vos que sai-se de lá como se um comboio nos tivesse atropelado. Também optei por colocar fotos apenas do exterior.
Depois desta manhã, nada como a tarde nos petiscos. A "street food" deles é muito boa e o que mais gostei foram as "Zapeinkankas". Eu que não sou apreciadora de cerveja, esta era viciante porque ao contrário da nossa, não é nada pesada.
No dia seguinte fui às famosas "Minas de Sal". São 20mn de comboio e à entrada paguei 94zlots - 21€. Não é decididamente o meu tipo de local a visitar mas realmente é magistral. Tudo é construído abaixo da terra.
Fui também dar a voltinha no "bus turístico". Não escolhi a opção "hop on e hop of", fiz apenas a volta completa que demorou 1h20. Paguei 40zslots - 9€.
No dia seguinte voltei a Varsóvia e fui visitar o "Uprising Museum - Museu da Revolta". É lindíssimo e vale mesmo a pena!
Esta última noite fiquei num hotel e não num hostel. São os chamados "hotels low budget". São simpáticos e em conta, pois paguei 35€ mas eu continuo a preferir os hostels.
No dia seguinte fui ao "Jewish Museum" e este foi sem dúvida o que mais gostei. Paguei 35zlots com audio em inglês. Esta exposição é muito completa e lindíssima.

Foram 6 dias espetaculares! Aulas de história ao vivo com o bónus de ser tudo baratíssimo. Apenas não gostei da falta de simpatia e disponibilidade dos Polacos. Existem excepções mas a maioria é mesmo assim...